:::: MENU ::::

  • Jun 12 / 2014
Glórias do Benfica

CAVÉM

Nascido a 21 de Novembro de 1932, Domiciano Barrocal Gomes Cavém foi um dos históricos gloriosos do nosso clube. Inaugura o conceito de verdadeira polivalência no futebol português, começando a sua carreira a extremo esquerdo, passando por médio interior e acabando a defesa esquerdo e direito.

Cavém tinha sonhos místicos nos dias anteriores às finais europeias. Antes de Berna e Amesterdão, sonhou que um senhor careca e de bigode lhe aparecia para o aconselhar a não cortar a barba se quisesse ser campeão europeu. Nas duas vezes resultou e o Benfica levou os dois canecos para Lisboa, muito também pelo trabalho de Cavém; sobretudo na segunda final, em que secou completamente a estrela húngara do Real, Puskas.

Como curiosidade, é o autor do golo mais rápido de sempre na Final da Taça. Bastaram 15 segundos para que Cavém marcasse o único golo da final entre Benfica e Porto de 1959.

GDB_003

Fez 14 épocas no Glorioso, de 1955 a 1969; 420 jogos, marcando 104 golos. Pela Selecção, 18 Internacionalizações (5 golos marcados). Antes do Benfica, jogou no Lusitano (clube da sua terra, Vila Real de Santo António) e no Covilhã; depois do Benfica nos Nazarenos.

Faleceu a 12 de Janeiro de 2005.

Cavém foi um lutador, um exímio cabeceador, um extraordinário atleta do futebol total, do conceito colectivo de jogo, um polivalente que se ajustava às necessidades da equipa. No fundo, Cavém foi o exemplo magistral do Jogador à Benfica. Uma Glória Eterna!

Palmarés no Benfica:

- 2 Taças dos Clubes Campeões Europeus (1960/61 e 1961/62)

- 9 Campeonatos Nacionais (1956/57, 1959/60, 1960/61, 1962/63, 1963/64, 1964/65, 1966/67, 1967/68 e 1968/69)

- 4 Taças de Portugal (1956/57, 1958/59, 1961/62 e 1963/64)

- 3 vezes Vice-Campeão Europeu (1962/63, 1964/65 e 1967/68)

- 2 vezes Finalista Vencido da Tala Intercontinental (1961/62 e 1962/63)

- 1 vez Finalista Vencido da Taça Latina (1956/1957)

  • Jun 12 / 2014
Glórias do Benfica

HUMBERTO COELHO

GDB_002

Além de grande capitão e extraordinário defensor – fortíssimo no jogo aéreo, movimentação, marcação e desarme -, Humberto Coelho tinha duas características que o elevaram ao patamar dos Gloriosos: excelente a sair com bola e um exímio marcador de golos nas bolas paradas. Em 496 jogos ao serviço do Benfica (15 épocas de águia ao peito), marcou um incrível número de golos para um defesa: 76. Representando a Selecção marcou 6 em 64 Internacionalizações. É o 26º jogador defensivo com mais golos marcados na História do Futebol.

Além do Benfica, representou o Las Vegas Quicksilvers (22 jogos; 3 golos) e o Paris Saint-Germain (43 jogos; 7 golos). Como treinador, passou pelo Braga, pelo Salgueiros, pela Selecção Nacional (levando a equipa das Quinas ao terceiro lugar no Euro-2000), por Marrocos, pela Coreia do Sul, pelo Al-Shabab e pela Tunísia.

Actualmente, é dirigente da Federação Portuguesa de Futebol.

Palmarés pelo Benfica:

- 8 Campeonatos Nacionais (1968–69, 1970–71, 1971–72, 1972–73, 1974–75, 1980–81, 1982–83, 1983–84)

- 7 Taças de Portugal (1968–69, 1969–70, 1971–72, 1979–80, 1980–81, 1982–83, 1984–85)

- 1 Supertaça (1979-80)

- Finalista vencido da Taça UEFA, em 1982/83

Uma Glória Eterna. Um Capitão glorioso. Um defesa goleador. Uma referência. Um homem da Mística!

  • Jun 12 / 2014
À volta de uma fotografia

À volta de uma fotografia – I – União desunida

AVF_001

Legenda da fotografia:

Gabinete do Ministro das Obras Públicas. À esquerda, o ministro de Portugal (Augusto Cancela de Abreu). À direita, usando da palavra o presidente da Direcção do Benfica (Manuel da Conceição Afonso) e a seu lado o presidente da Mesa da Assembleia Geral (João Tamagnini Barbosa). Em termos ideológicos, no dia-a-dia, era ao contrário: um ministro de Direita e dois interlocutores de Esquerda!

O Benfica tem um dom, entre muitos. Ver uma fotografia antiga é viajar do passado para o presente. Pelo mesmo caminho. Se o passado é História, o presente é Essência. Se a História é Benfica, a Essência é Benfiquismo. É disso que esta fotografia trata. O Benfiquismo no Benfica. Data: 17 de Maio de 1946. Há mais de 68 anos. Motivo: Resolução definitiva do problema das instalações provisórias do Benfica no campo de jogos no Campo Grande, inaugurado em 5 de Outubro de 1941. Há quase cinco anos!

O provisório estava a passar a definitivo. A Câmara Municipal de Lisboa (CML) indicara à Direcção do Clube, presidida por Félix Bermudes, em 1945, uma localização próxima do Campo Grande para instalar, definitivamente, o estádio do Benfica. Um grupo de associados foi visitar o local e ficou desagradado. Deu indicação disso mesmo, com transparência, à Direcção do Clube numa assembleia geral. A Direcção não cedeu. Nas eleições seguintes – nesse tempo os mandatos eram anuais – em 19 de Janeiro de 1946 a Direcção que pedia a recondução foi derrotada. Os associados do Clube não queriam a solução da CML para o novo campo de jogos! E mostraram o desagrado derrotando essa solução num acto eleitoral em tempo de ditadura no País!

Esse ano de 1946, em Portugal, foi muito mais do que apenas “mais um ano”! Nesse ano, houve um local em Portugal onde houve eleições livres: universais, directas e por voto secreto. Mas no Benfica era habitual. Neste ano de 1946 o Benfica ainda foi mais longe, para alerta das instituições do Estado Novo. Houve acesa disputa eleitoral entre dois modos de conduzir o Clube e fazer história. Houve escolha Democrática e Pluralista. O Benfica e o Estado Novo. Em 1946, um incómodo (Benfica) mas um incómodo a dobrar para o Poder (duas listas em confronto escolhidas por voto secreto universal, sem impedimentos por etnia, género, classe social ou ideologia). Houve Benfica, a marcar a história política de Portugal. Em 1946!

Depois da tomada de posse dos Órgãos Sociais (6 de Fevereiro) foi planeada a primeira acção. Pedir uma audiência ao Ministro das Obras Públicas, engenheiro Augusto Cancela de Abreu, para expor o problema. A ordem surgiu: audiência marcada para 17 de Maio. Na delegação praticamente todo o elenco directivo e o presidente da mesa da assembleia geral. Este era o brigadeiro João Tamagnini Barbosa, ministro de Sidónio Pais, nos anos 10. Chegou a Chefe de Governo, actual cargo de primeiro-ministro. Depois do golpe de Maio de 1926 foi desterrado para os Açores, onde a eclosão da II Guerra Mundial o “resgatou” à vida activa. O presidente da Direcção era o linotipista e tipógrafo sindicalista Manuel da Conceição Afonso, que nos anos 10 teve exacerbada acção frente ao Poder representado pelos sidonistas. Dois antagonistas públicos e facciosos dos anos 10/20 unidos no Benfiquismo na década de 40, pelo Benfica.

Em frente ao ministro salazarista que os dois combatiam em 1946 enquanto ideologia! Depois da exposição do assunto e revelada a preocupação, sustentada e sintética, pela delegação do Glorioso, o Ministro falou (uma frase histórica que nos conduz ao local onde se edificou a actual Catedral em substituição de outra!): «Não tenham receios a tal respeito. De resto o Benfica é de Benfica e logicamente é para Benfica que ele deve voltar».

Uma fotografia. Uma sala do Poder português. Três sensibilidades. Três percursos cívicos diferentes. Três visões ideológicas. Um Ideal. Uma Ideia. O Benfiquismo. O Benfica. Foi decidido em 1946 a actualidade do ano de 2014 e seguintes… Onde está hoje o “Ninho da Águia Suprema”. Juntos numa sala. Em Portugal. Em prol do Clube. Há 68 anos! Só o Benfica! Só no Benfica!

Alberto Miguéns

loading