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  • Fev 22 / 2014

Valores

Quando, a 18 de Outubro de 1953 – há precisamente 60 anos -, o Presidente Joaquim Ferreira Bogalho e o treinador Ribeiro dos Reis tiveram de tomar a complexa, difícil mas a todos os títulos necessária medida de excluir uma das grandes figuras do futebol do clube de então, o jogador Félix Antunes, o Benfica, mais uma vez e desde a sua fundação, via-se cumprido na sua essência, respeitados que estavam os seus mais elementares fundamentos e nobres valores pelos quais o clube sempre havia regido a sua existência.

Jogador de eleição, central poderoso e implacável, considerado o mais talentoso defesa do seu tempo, homem com uma década de clube, um dos titulares na Inauguração do Estádio da Luz, orgulhoso vencedor da Taça Latina, Félix Antunes via o seu nome confundido com o Benfica – havia quem falasse, por graça, num Sport Lisboa e Félix. No entanto, nenhuma destas gloriosas valências o ilibaram de ser confrontado com o despedimento sumário após ter «passeado o símbolo», supostamente dando abébias pouco usuais nos golos vitorianos, e, já no balneário, ter atirado a camisola para o chão, pisando-a, excedendo-se na manifestação de desagrado.

Félix havia sido multado pela Direcção do Benfica por «comportamento inadequado» ao serviço da Selecção, um mês antes. Mas nem esta atenuante para tão inexplicável atitude perante o símbolo, o clube e os colegas o salvou, sendo forçado a abandonar uma ligação de uma década, na qual havia sido, sem quaisquer dúvidas, uma das grandes figuras que ajudaram a construir um Benfica glorioso – nacional e internacionalmente.

Esta viagem ao passado pretende não só relembrar uma das nossas mais marcantes memórias mas dar o mote para o que acreditamos serem os princípios, a identidade e a génese do Sport Lisboa e Benfica: inequívoco respeito pelo símbolo que amamos; por mais grandiosos que sejam os seus feitos, ninguém está acima do clube; defesa intransigente da cultura Benfica: uma cultura de vitória, verdade, de honradez, de sucesso, de solidariedade, de mística, de entrega e devoção à causa que nos inunda; o benfiquismo que nunca adormece, que se respeita, que não trai os seus valores, que procura sempre amparar o clube, elevando-o ao ponto mais alto da sua caminhada.

Porque o Benfica é uma entidade mágica e em constante renovação, acreditamos que é pelo encontro de almas, pela comunhão dos afectos, pela partilha de ideias e diferentes visões de benfiquismo, que ele se cumpre tal qual é: universal, democrático, abrangente, místico, eterno.

Esta Associação de Adeptos Benfiquistas surge, por isso, da visceral necessidade de um espaço colectivo para onde desaguem todos as artérias do pensamento e sentir dos sócios, adeptos e simpatizantes. Um grande terreiro no qual nos juntemos a viver, falar, rir, chorar, pensar Benfica. Uma plataforma giratória de sonhos pela qual os transformemos, dia-a-dia, benfiquismo-a-benfiquismo, na realidade que quisermos construir para o futuro.

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